2026

O retorno do guará-vermelho ao estuário de Cubatão, São Paulo

Escultura Parece Flor. Pé de mangue, peças impressas em PLA,
descartes e suportes de PLA, e espelho.Altura: 65 cm ©Carla Lombardo.

Esta proposta parte do pensamento de Octavia Butler sobre a transformação, adaptação e imaginação radical, especialmente da entrevista A Discussion with Octavia Butler: A Cautionary Tale, na qual afirma que “o destino da semente da Terra é criar raízes entre as estrelas”. A partir dessa imagem, o trabalho investiga formas de imaginar futuros situados em territórios marcados pelo colapso ambiental. O projeto consiste em um texto poético concebido para leitura em coro – reza do mutirão, acompanhado por um conjunto de esculturas. Tomando como ponto de partida o retorno do guará-vermelho aos manguezais de Cubatão, desloca a narrativa histórica do “Vale da Morte” para afirmar processos de regeneração ecológica produzidos pela persistência da vida e pelas práticas comunitárias de cuidado. O coro assume uma voz coletiva que atravessa tempos geológicos, biológicos e políticos, articulando lama, resíduos industriais, organismos do manguezal e memórias dos mutirões de limpeza realizados por comunidades locais. As esculturas prolongam essas relações por meio de formas inspiradas nas raízes do mangue, algas, crustáceos e penas do guará-vermelho. Palavra e matéria constituem uma fabulação situada sobre interdependência, biomassa e cuidado territorial.

Escultura Pó da china. Impressão 3D de peças (pinos de 1 gr. e algas do manguezal)
e suportes “árvore” em PLA branco sobre espelho. Tamanho: 21 x 21 cm . ©Carla Lombardo
Escultura Viemos nós mesmas só. Impressão 3D de peças (alga carotena, pinça de chama-maré e pé de
guará-vermelho) e suportes “árvore” em PLA branco sobre espelho. Tamanho: 21 x 21 cm . ©Carla Lombardo
Escultura Alga carotena, a partir da alga Bostrychiaradicans recriada com o sofware KREA AI e suporte
de “árvore” criado pelo software da impressora 3D. ©Carla Lombardo.

Coro – Reza do mutirão